MANIFESTO EM DEFESA DA SAÚDE NA REFORMA TRIBUTÁRIA

Por um Imposto Seletivo que reduza o consumo de tabaco, álcool, bebidas açucaradas e bets, e as doenças e mortes associadas a eles

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Manifesto - Por uma reforma tributária saudável: imposto seletivo para produtos ultraprocessados

MANIFESTO EM DEFESA DA SAÚDE NA REFORMA TRIBUTÁRIA

Por um Imposto Seletivo que reduza o consumo de tabaco, álcool,
bebidas açucaradas e bets, e as doenças e mortes associadas a eles.

Em 2025, caminhamos para a terceira fase da reforma tributária. Em 2023, foi promulgada pelo Congresso Nacional a Emenda Constitucional 132, que, além de estabelecer um novo sistema tributário no país, foi inovadora ao criar o imposto seletivo no Brasil, destinado a desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Em 2024, o país regulamentou a reforma, definindo, dentre outros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, tabaco e bets como produtos que serão alvo do imposto seletivo. A última etapa da reforma tributária ocorre este ano e será decisiva para o êxito do novo imposto seletivo: a definição das alíquotas, ou seja, o montante que cada produto e setor vai pagar de impostos.

Nas próximas semanas, o Executivo vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei ordinária estabelecendo as alíquotas de imposto seletivo para cada produto. O país encontra-se, neste momento, portanto, diante de uma oportunidade histórica de fazer uso da política tributária, a mais efetiva de todas segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para aumentar o imposto de bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, tabaco e bets, reduzindo seu consumo, gerando benefícios para a saúde da população, desafogando o SUS e levando a impactos econômicos positivos.

Só que grandes corporações e associações empresariais que representam os interesses das indústrias de produtos nocivos estão fazendo pressão para pagar menos impostos. Estes agentes buscam influenciar o poder público para que a alíquota do imposto seletivo seja a mais baixa possível, o que nos preocupa e é motivo de alerta, já que descaracterizaria o objetivo e os benefícios da taxação.

Nesse sentido, nós, organizações da sociedade civil, grupos de pesquisa, entidades e especialistas vimos a público chamar a atenção da sociedade e instar os integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo para que tomem a melhor decisão para a saúde ao estabelecer uma tributação efetiva e maior para esses produtos nocivos.

 

Imposto seletivo e seu racional econômico

A tributação mais alta de produtos nocivos à saúde é uma política pública adotada por diversos países no mundo, e recomendada por instituições como Banco Mundial, OMS, entre outras. E como previsto na Constituição, o objetivo final desse imposto seletivo é reduzir seu consumo e, consequentemente, prevenir doenças e salvar vidas. Para isso, é necessário que as alíquotas sejam suficientemente altas para desencadear os efeitos esperados: aumentos consideráveis nos preços, redução substancial no consumo e aumentos significativos nas receitas tributárias. Um levantamento do Grupo da Força-Tarefa de Políticas Fiscais para Saúde, composto por especialistas em economia e saúde de todo o mundo, mostra que aumentar impostos do tabaco, álcool e bebidas açucaradas em 50% pode gerar recursos de 41 bilhões de dólares ao ano na América Latina e Caribe - quase 20% do gasto anual desta região em assistência à saúde.

Tabaco, álcool e alimentação inadequada são os principais fatores de risco das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como as doenças cardiovasculares, renais e respiratórias crônicas, câncer, diabetes tipo 2 e obesidade. De acordo com a OMS, elas são a principal causa de morte, morbidade e incapacidade, responsáveis por 74% das mortes no mundo e, no Brasil, por 75%.

 

Impactos à saúde, ao meio ambiente e aos cofres públicos

Em virtude deste impacto, o consumo de tabaco, álcool e refrigerantes gera enormes custos e perdas econômicas ao Estado e à sociedade brasileiras em virtude de cuidados e tratamentos às doenças, da riqueza que deixa de ser gerada com as mortes prematuras e incapacidades, e dos cuidados informais com as quais as famílias precisam arcar. Estudos mostram que, apenas no Brasil, o consumo de tabaco, álcool e refrigerantes provocam prejuízos de pelo menos R$175 bilhões de reais por ano. 

Além da saúde, estes produtos impactam negativamente o meio ambiente, contribuindo com o aquecimento global e a crise climática. Estima-se que, para cada litro de cerveja, são produzidos entre 510 e 842 g de gás carbônico (CO2), um dos principais gases do efeito estufa. Todos os anos, cerca de 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas no mundo, o que contamina e polui solos e mares com componentes plásticos e substâncias tóxicas. E além da principal fabricante de refrigerantes ser a maior poluidora de plástico do mundo, a produção de bebidas açucaradas consome água em excesso: para produzir apenas um litro de bebida açucarada são necessários entre 300 e 600 litros de água.

É importante destacar que impostos seletivos mais altos são bons não apenas para a saúde e o meio ambiente, mas para toda a economia e para o nosso bolso. Pelo princípio da neutralidade tributária, se o governo arrecadar mais com impostos sobre produtos nocivos, terá que arrecadar menos com outros impostos. Assim, quanto mais altos forem os impostos seletivos, menores serão os que pagamos para outros produtos básicos, como roupas. Segundo pesquisa do Datafolha, 94% da população é a favor da tributação mais alta de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

É por isso que alertamos a sociedade e recomendamos ao Governo e ao Congresso Nacional para que considerem as melhores evidências científicas disponíveis, sem conflito de interesse, e façam cumprir a função constitucional do imposto seletivo de salvar vidas. A saúde da população deve ser protegida a despeito da pressão exercida por indústrias que lucram com o adoecimento do povo brasileiro, e buscam se esquivar da justa tributação.

ASSINAM ESTE MANIFESTO


Adriana Salay
Adriana Salay
Historiadora e Professora (USP)
Arthur Chioro
Arthur Chioro
Ex-Ministro da Saúde, Médico Sanitarista e Pesquisador
Bela Gil
Bel Coelho
Chef de Cozinha
Bela Gil
Bela Gil
Chef de Cozinha e Apresentadora de TV
Carlos Monteiro
Bruno Halpern
Presidente da Federação Mundial de Obesidade
Carlos Monteiro
Carlos Monteiro
Epidemiologista e professor emérito da USP
Daniel Becker
Daniel Becker
Pediatra, sanitarista e escritor
Drauzio Varella
Drauzio Varella
Médico, Oncologista e Escritor
Elisabetta Recine
Elisabetta Recine
Presidente do Consea, pesquisadora e professora
Francisco Mata Machado Tavares
Francisco Mata Machado Tavares
Professor da Faculdade de Direito da UFG
Francisco Menezes
Francisco Menezes
Economista; Ex-Presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)
Gabriela Kapim
Gabriela Kapim
Nutricionista infantil e apresentadora de TV
Gonzalo Vecina Neto
Gonzalo Vecina Neto
Médico sanitarista e professor
Ilan Kow
Ilan Kow
Diretor do Panelinha
João Paulo Pacífico
João Paulo Pacífico
CEO do Grupo Gaia; Empresário e Ativista
José Agenor Álvares da Silva
José Agenor Álvares da Silva
Ex-ministro da Saúde
José Temporão
José Temporão
Ex-Ministro da Saúde, Médico Sanitarista e Pesquisador na Fiocruz
 José Graziano da Silva
José Graziano da Silva
Ex-Ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome e ex diretor geral da FAO
Marcos Palmeira
Marcos Palmeira
Ator e Ativista
Margareth Dalcomo
Margareth Dalcomo
Médica pneumologista
Maria Edna de Melo
Maria Edna de Melo
Coordenadora da Liga de Obesidade Infantil do HCFMUSP
Mônica de Bolle
Mônica de Bolle
Economista, Imunologista e Pesquisadora
Nelson Marconi
Nelson Marconi
Professor da FGV-SP
Patrícia Jaime
Patrícia Jaime
Nutricionista e coordenadora científica do Nupens/USP
Regina Tchelly
Regina Tchelly
CEO da Favela Orgânica e Empreendedora Social
Renato Maluf
Renato Maluf
Conselheiro Titular (2003-2016) e Ex-Presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)
Ricardo Abramovay
Ricardo Abramovay
Pofessor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP
Rita Lobo
Rita Lobo
Chef de cozinha e apresentadora de TV
Roberto Gil
Roberto Gil
Oncologista clínico e diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Rodrigo Mocotó
Rodrigo Mocotó
Chef de cozinha
Walter Belik
Walter Belik
Economista e diretor do Instituto Fome Zero

E AS SEGUINTES ORGANIZAÇÕES


ACT
ACT Promoção da Saúde
GT Agenda 2030
Ação Cidadania
Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável
Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável
Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas
Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas
Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)
Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)
ABRASCO
Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)
ABESO
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO)
Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais
Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais
FIAN Brasil
FIAN Brasil
Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil (FórumCCNTs)
Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil (FórumCCNTs)
Greenpeace Brasil
Greenpeace Brasil
Instituto Alana
Instituto Alana
IDEC
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)
Instituto Desiderata
Instituto Desiderata
Instituto Ibirapitanga
Instituto Ibirapitanga
Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC)
Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC)
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
Sociedade Brasileira de Pediatria
Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Alianza Latinoamericana de Acción sobre Alcohol (Alasa)
  • AMSK Brasil
  • ARENGA! Pesquisa, Extensão e Ação em Saúde, Nutrição, Soberania e Segurança Alimentar em Alagoas
  • Articulação Brasileira de Gays (ARTGAY)
  • Associação beneficente são Paulo Apóstolo
  • Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil)
  • Associação Brasileira de Enfermagem Seção Minas Gerais
  • Associação Brasileira de Nutrição (Asbran)
  • Associação Brasileira para a Promoção da Alimentação Saudável e Sustentável (Abpass)
  • Associação Construção
  • Associação de Alcoolismo Feminino (AAF)
  • Associação de Docentes da Unicamp (ADunicamp)
  • Associação Sergipana de Proteção ao Diabético
  • Associação Slow Food do Brasil
  • Banquetaço Ribeirão Preto
  • Bari da Glenda
  • Biored Brasil
  • Campaign for Tobacco-Free Kids
  • Cátedra Josué de Castro USP
  • Centro de Apoio às Atividades Populares (CAAP / MOVSOCIAL)
  • Centro de Información y Educación para la Prevención del Abuso de Drogas (CEDRO)
  • Centro de Reintegração Familiar e Incentivo à Adoção
  • Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESPI)
  • Coalición América Saludable (CLAS)
  • Comitê para Regulação do Álcool (CRA)
  • Comunidade de Práticas América Latina e Caribe, Nutrição e Saúde (Colansa)
  • Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Amazonas (Consea/AM)
  • Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (Consea- MG)
  • Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Piauí (Consea-PI)
  • Conselho Federal de Nutrição
  • Conselho Municipal da Diversidade Sexual e de Gênero de Peruíbe
  • Corporate Accountability
  • Education Against Tobacco Brazil
  • Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições (FEBAB)
  • Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA)
  • Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (FOAESP)
  • Fórum Estadual de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional de Pernambuco (FESSAN-PE)
  • Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção a Adolescentes no Trabalho (FNPETI)
  • Fórum Permanente de Nutrição, Política e Democracia
  • Gênero, Mulher, Desenvimento e Ação para a Cidadania (GEMDAC)
  • Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero
  • Girl Up Brasil
  • Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAS/UFMG)
  • Grupo de pesquisa Desenvolvimento de tecnologia em atenção primária à saude da UNESP
  • Grupo de Pesquisa Sociedade, Estado e Gestão Pública da Unifal-MG
  • Grupo Direito e Políticas Públicas da Faculdade de Direito da USP
  • GT Agenda 2030
  • IBFAN Brasil
  • IFMSA Brazil
  • Instituto Abraço de Comunicação
  • Instituto Comida do Amanhã
  • Instituto Comida e Cultura
  • Instituto Cordial
  • Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS)
  • Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
  • Instituto Harpia Harpyia
  • Instituto Oncoguia
  • Instituto Os Guardiões da Natureza (ING)
  • Laboratório de Dietética Experimental da Unifesp
  • Laboratório de Ecotoxicologia e Contaminação Marinha do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo
  • Laboratório de Educação Alimentar e Nutricional da Universidade Federal de Sergipe (LEAN)
  • Laboratório de Vida Ativa da UERJ (LaVA/UERJ)
  • Movendi International
  • Movimento das Trabalhadoras e trabalhadores por Direitos
  • Movimento Infância Livre de Consumismo (MILC)
  • Movimento Influencers Diabetes Brasil
  • Movimento Nacional da População em Situação de Rua de Santa Catarina (MNPR SC)
  • Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável SP (MNODS)
  • Movimento pela Saude dos Povos Brasil
  • Movimento Urbano de Agroecologia MUDA
  • NCD Alliance
  • Núcleo de Advocacy em Saúde (NUAS)
  • Núcleo de Alimentação e Nutrição em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
  • Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Sistemas Alimentares (NEPESA) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Nucleo de Estudos e Pesquisas sobre o Ambiente Alimentar (NEPAAL)
  • Núcleo de Estudos em Saúde, Nutrição e Educação (NESANE)
  • Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições da Universidade Federal de Santa Catarina (NUPPRE/UFSC)
  • Núcleo de Pesquisa em Prevenção ao uso de álcool e outras drogas da Universidade Federal de São Paulo (PREVINA)
  • Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP)
  • Observatório Brasileiro de Conflitos de Interesse em Alimentação e Nutrição (ObservaCoI)
  • Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio)
  • Observatório de Obesidade
  • Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional da Universidade de Brasília
  • ONG Centro de Apoio ao Mais Carente da Casa da Acolhida
  • OXFAM Brasil
  • PAN Brasil (Physicians Association for Nutrition)
  • Pastoral da Ecologia Integral da Diocese de Bauru-SP
  • Pastoral da Sobriedade
  • Quilombo Aquilah
  • Santa Food Tech
  • Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  • Usina da Imaginação
  • Vital Strategies
ACT